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Mito do controle perfeito é exagero para o tratamento.
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Mito do controle perfeito pode gerar culpa e doenças

A rigidez no tratamento de diabetes é negativa e tem tudo a ver com o mito do controle perfeito.

Vários pacientes pensam que devem manter o nível de glicemia em rédeas curtas e são bastante inflexíveis.

Diferente do que eles imaginam, essa forma de lidar com a doença certamente faz mal à saúde.

Sendo assim, veja por que o mito do controle perfeito é um conto do vigário que todos os pacientes devem rejeitar.

 

Tratamento de diabetes pode ser flexível e não deve gerar ansiedade

O mito do controle perfeito é uma ilusão que passa a ideia de que o paciente deve ser extremamente rigoroso com os níveis de glicemia. É verdade que esse controle exige atenção, porém, sem exageros. Muitas pessoas acreditam que precisam ter “números perfeitos” para manter a saúde e isso é uma armadilha. Veja quais são as consequências de extrapolar os cuidados e fuja desse conceito.

Vamos por partes. Uma maneira de pensar não surge do nada, ela se desenvolve a partir de uma ou mais fontes mal interpretadas ou que simplesmente agem de má-fé. O primeiro caso se encaixa em recomendações médicas ou comparações do quadro clínico entre pacientes. Já a segunda situação é comum nas redes sociais. Elas exibem os tais números perfeitos que “deveriam” ser invejados por qualquer paciente.

Em primeiro lugar, você precisa saber que é supernormal a glicemia variar, pois não se trata de algo estático. Os picos de glicose não significam necessariamente descaso, falta de atenção ou de disciplina de quem está em tratamento. Ela sobe de acordo, inclusive, com fatores que estão além do controle total do paciente. Um dia estressante no trabalho ou em casa, mudanças no clima e alterações hormonais certamente são alguns exemplos.

O organismo é dinâmico e, por isso mesmo, sujeito ao que acontece ao seu redor. Esperar ou exigir que ele funcione com precisão de relógio suíço significa não apenas estabelecer metas inalcançáveis, mas também criar um tipo de prisão emocional. A pessoa mede a glicose de forma obsessiva, revisa várias vezes os números referentes ao tratamento e imagina futuros catastróficos quando detecta qualquer variação glicêmica.

Tenha em mente que o próprio estado de alerta permanente já gera ansiedade e estresse, sintomas que elevam a glicemia. Portanto, mantenha a calma e veja como evitar o mito do controle perfeito.

 

Proteja seu estado emocional

Esqueça a ideia de manter a glicemia em faixas estreitas, pois isso é como andar na corda bamba. O mito do controle perfeito gera medo de errar, sensação de fracasso e culpa. Nada disso faz bem ao paciente, ao contrário, gera sobrecarga emocional e existe o risco de ele desenvolver um quadro de burnout do diabetes. Há outro fator importante. Quanto maior for o rigor, maior é a chance de o paciente deixar de lado alguns cuidados no médio e longo prazo.

 

Evite consequências físicas

Quem controla a glicemia de forma excessiva, ou seja, ajusta a dose de insulina ou dos remédios mediante qualquer alteração, corre sério risco. Saiba que esse comportamento dá margem ao aumento da frequência de hipoglicemias. Quando tal diagnóstico se repete várias vezes ele se torna ainda mais perigoso e desencadeia outros problemas de saúde. Tontura, queda e confusão mental ficam mais intensas. O exagero também afeta a saúde cardiovascular.

 

Não tenha medo da comida

Seguir uma dieta elaborada para manter a saúde não tem nada a ver com restringir quase todos os grupos alimentares. Tenha bom senso. Outra consequência do exagero é o desenvolvimento de padrões alimentares disfuncionais, como por exemplo a ortorexia. Trata-se da fixação por um tipo de alimentação considerada perfeita. Não se esqueça de que comer é fonte de nutrição e de prazer, não uma punição. Pense nisso.

 

Mantenha a vida social

A vida real oferece problemas, imprevistos, e tudo isso gera emoções que podem resultar no aumento da glicemia. Algumas pessoas evitam passear ou viajar porque se sentem mais seguras dentro de casa, afinal, o lar é um ambiente mais controlável. Pensar e agir dessa maneira é um engano porque o afastamento social aumenta a sensação de solidão e abre portas para doenças emocionais, como a depressão. Socializar e criar redes de apoio é positivo para o paciente.

 

Use a tecnologia com sabedoria

O avanço da tecnologia ajuda bastante não apenas a prevenir doenças, mas também a melhorar a qualidade dos tratamentos em qualquer área da saúde. Prova disso está na existência de aplicativos que facilitam o dia a dia do diabético. Portanto, trata-se de um recurso útil no controle da glicemia e até os médicos aprovam essa colaboração. No entanto, o paciente não deve criar uma obsessão por dados e estatísticas sobre a própria condição de saúde.

 

Crie metas realistas

É mais ou menos como não dar o passo maior que a perna. Quem define um objetivo muito audacioso tem não apenas mais chance de ficar longe dele, mas também de desistir no meio caminho. Tratamento bem-sucedido é aquele que é mantido com equilíbrio no médio e longo prazo. Tenha consciência de que existem dias ruins, que o corpo responde diferente em condições semelhantes e que você não controla tudo o que deseja. Longe disso. Metas realistas são fáceis de cumprir sem sacrifício e dão margem a ajustes, sem culpa.

 

Mude a mentalidade

De acordo com as modernas diretrizes do tratamento de diabetes, ganha cada vez mais força a ideia de que controle não é sinônimo de rigidez. Muito menos de perfeição. Se cada ser-humano é único, o organismo dele também reage de forma única e o tratamento precisa ser flexível conforme as circunstâncias. Preste atenção na glicemia, mas não dê mais peso a ela do que à saúde geral. Variações pontuais são normais e fazem parte da caminhada. O mais importante é manter a qualidade de vida.

 

Portanto, o mito do controle perfeito é como uma miragem no deserto. Pode até passar uma imagem bonita, relaxante, e você vai desejar alcançá-la, mas na prática não existe. Esse mito é apenas um esforço exagerado que causa ansiedade, culpa e desânimo em quem precisa pensar no tratamento a longo prazo.

E você, já tentou alcançar os “níveis perfeitos” por algum período? Quanto tempo durou essa jornada inglória? Entre nas nossas redes sociais e compartilhe sua experiência. Tenho certeza de que ela ajudará muitos pacientes a desistirem dessa ideia.