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Retinopatia diabética é uma doença bastante perigosa

A retinopatia diabética é um dos maiores problemas enfrentados pelos portadores de diabetes que não mantêm o controle da glicemia.

Ela não é perceptível no estágio inicial e, por isso, o portador de diabetes deve ir ao oftalmologista todos os anos fazer os exames necessários.

Quando as manchas escuras começam a surgir na vista, a doença já está em estágio avançado. Aí, fica mais difícil controlá-la.

Veja de que se trata a retinopatia diabética, como evitá-la e quais os tratamentos existentes.

Veja de que se trata esse problema e como ele aparece

Retinopatia diabética é uma doença que ocorre nos olhos, pode levar à cegueira e está ligada a alterações nos vasos sanguíneos da retina. Essas mudanças são causadas pelo excesso de glicose circulando no sangue e representam um risco para os portadores de diabetes.

Um dos maiores medos de quem é portador dessa doença consiste em ficar cego. Isso de fato pode acontecer, principalmente se a pessoa deixar de se cuidar.

Entre os problemas oculares mais comuns que podem surgir nesse paciente, estão a catarata, o glaucoma e a retinopatia diabética. Dos três, este é o mais comum.

Essa doença tem mais possibilidade de surgir quando o diabetes fica descompensado bastante tempo, pois o nível elevado de glicose faz muito mal.

O excesso de glicose provoca mudanças nas estruturas dos vasos sanguíneos que estão nos olhos. Quando isso acontece, tais vasos ficam mais fracos e não resistem à pressão interna. Dessa forma, o sangue começa a vazar para a retina ou para o vítreo.

O problema é que não dá para perceber que isso acontece, e quando o paciente começa a reclamar da visão, a doença já está em estágio mais avançado.

Infelizmente, a retinopatia diabética está se tornando cada vez mais comum e também está ligada ao tempo que a pessoa tem diabetes. Fatores como tabagismo, pressão alta e colesterol elevado aumentam ainda mais a chance de o portador de diabetes ter essa doença.

Veja o que a oftalmologista Wilma Lelis Barboza diz a respeito desse assunto e entenda melhor as consequências da retinopatia diabética. Ela é presidente da Sociedade Latino-Americana de Glaucoma, do Conselho Consultivo da Sociedade Brasileira de Glaucoma e também Doutora em Oftalmologia pela Faculdade de Medicina pela Universidade de São Paulo.

O excesso de açúcar pode causar a retinopatia diabética

Atualmente, essa doença atinge portadores de diabetes tipo 1 ou 2, e está ligada ao seu tempo de surgimento e ao controle da glicemia.

A melhor forma de evitá-la (ou retardá-la) é não apenas mantendo rígido controle da glicose, mas também diagnosticando rapidamente as primeiras lesões, por isso, é tão necessário ir anualmente ao oftalmologista para fazer exames.

Segundo a doutora Wilma Lelis Barboza, o sangue tem sua composição alterada por causa do açúcar e quando passa pelos vasos, como a água que circula por um cano, vai corroendo essa estrutura até causar uma lesão. “Tal problema ocorre nos vasos menores, porque são os mais sensíveis, como por exemplo, os dos olhos, do coração, dos rins e do cérebro”, explica a oftalmologista.

A retinopatia surge de forma muito lenta e até certo ponto, quando ainda é considerada leve, talvez nem precise de tratamento, apenas de controle regular.

A hemoglobina glicosilada HbA1c (ou glicada), é um dos marcadores usados para avaliar o risco de avanço da doença. Em sua fase inicial, e com tal índice em 6, o paciente pode começar a ter problemas após 25 ou 30 anos.

Quanto maior for o índice da HbA1c, mais elevadas são as complicações. Com a doença em estágio moderado e o índice em 7, o risco de piora do quadro em um prazo de 5 anos fica em torno de 27%.

Se a hemoglobina glicada estiver em 9, a probabilidade de agravamento no mesmo período sobe para 57%. Nos casos graves, o risco dobra ou até triplica entre 5 e 10 anos. Aí começam as complicações da retina podem levar à cegueira.

Nunca é demais reforçar a importância de ir ao oftalmologista uma vez por ano. Quanto antes a doença é descoberta, mais eficiente é o conjunto de ações para reduzir suas complicações.

Exames preventivos podem evitar a retinopatia diabética

A doutora Wilma informa que nas primeiras fases da doença pode surgir algum inchaço ou edema e até pequenas hemorragias que não alteram a visão. “Por isso, é difícil sentir que há algo errado”, diz.

No caso de quem é portador de diabetes tipo 1, por causa da glicemia muito elevada, pode ocorrer a mudança do grau dos olhos. “Trata-se de uma miopia provisória, que some com o controle da glicemia”, orienta a oftalmologista.

Há casos de jovens que passam a ter 4, 5, ou 6 graus de miopia e isso de fato não tem a ver com problemas oculares. “Só no agravamento da doença que começam a surgir manchas escuras que crescem até levar à cegueira”, afirma Wilma.

Ela afirma que o controle da glicemia é suficiente para evitar que o portador de diabetes tenha a perda da visão ao longo da vida. O exame de fundo de olho é básico para detectar algo errado e é considerado como uma avaliação de rotina na consulta oftalmológica.

A partir dele, outros exames podem ser feitos com o objetivo de detalhar o diagnóstico. Por meio da tomografia da retina é possível observá-la por dentro e avaliar o que está acontecendo. O exame com contraste na veia também pode ser muito útil para avaliar o quadro do paciente.

O mais importante disso tudo é saber, enfim, que esses exames e tratamentos são oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Certamente, é a prova de que é possível acompanhar com frequência a própria condição clínica e se manter bem no decorrer da vida. É uma questão de se manter informado e não ficar acomodado.

O controle da glicemia é a melhor forma de prevenção

Após definir o diagnóstico, é possível fazer vários tratamentos e isso depende do quadro de cada paciente, pois há muitos aspectos levados em consideração.

De acordo com a doutora Wilma, o primeiro passo é classificar o grau da doença entre leve, moderado ou avançado. Depois, se ela está na região central ou periférica no olho. “Também vemos se já existe sangramento”, declara Wilma.

As cirurgias são feitas só em circunstâncias muito específicas e quando a retinopatia já evoluiu bastante. Do contrário, há uma combinação de tratamentos que ajudam a controlar a doença e a fotocoagulação a laser é uma das opções.

Caso o paciente tenha algum edema ou a neovascularização (formação de vasos sanguíneos) nos olhos, há medicações injetáveis muito úteis nesse tratamento.

Hoje em dia, existem várias opções não apenas para tratar, mas também evitar o avanço e as complicações da retinopatia diabética. Mesmo assim, o controle glicêmico sempre é fundamental na manutenção da saúde ocular.

É importante sempre se lembrar de que o diabetes é uma doença sistêmica e envolve vários órgãos. Mesmo sendo assintomática no início, o paciente corre vários riscos caso deixe de tomar os cuidados necessários. “É preciso estar ciente dos problemas que podem surgir”, alerta a doutora Wilma.

A respeito da saúde dos olhos, ela diz que alguns pacientes já chegam quase cegos ao consultório e, quando há perda da visão, o quadro é irreversível. Por isso é preciso sempre tomar todas as providências para manter a saúde em ordem.

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