Às vezes, um paciente precisa passar por cirurgia e o tratamento do diabetes sofre alterações.
As mudanças variam de acordo com o tipo de operação e a forma como ele controla o diabetes.
Esse procedimento, incluindo a anestesia, provoca alterações no metabolismo e é preciso atenção.
Descubra o que você deve fazer no período pós-operatório para manter o diabetes sob controle e se recuperar rapidamente.
O tratamento do diabetes exige bastante atenção no dia a dia e ainda mais no período pós-operatório. As cirurgias mudam o metabolismo de qualquer paciente, sendo que em relação a essa doença o impacto da intervenção é maior.
O trauma cirúrgico, a anestesia e a necessidade de repouso podem elevar o nível de glicose. Entre as consequências disso estão um processo mais lento de cicatrização, a redução da imunidade e o risco de demais complicações à saúde.
Portanto, é imprescindível que você converse com seu médico sobre quais medidas deve tomar após uma cirurgia de pequeno, médio ou grande porte. A seguir, veja algumas das ações mais comuns nessa situação, porém, cada paciente tem uma necessidade específica.
Trata-se de um cuidado da equipe médica, mas é importante você saber. O monitoramento do nível de glicemia deve ser intensivo logo após a cirurgia, ou seja, ainda no centro de recuperação e no quarto. O ideal é medir a cada uma ou duas horas, após passar o efeito da anestesia.
Em pacientes de diabetes tipo 1, é recomendável fazer esse teste de hora em hora. Caso o exame detecte grandes alterações (inclusive no tipo 2) essa iniciativa permite que o médico faça rapidamente os ajustes necessários, evitando picos de glicemia.
As cirurgias normalmente causam estresse no organismo e esse efeito eleva a produção de hormônios como por exemplo, de cortisol. Cortisol em grande quantidade no corpo aumenta a resistência à insulina e surge o risco de hiperglicemia.
Estudos realizados com pacientes que não controlam a glicemia no período pós-operatório revelam que nesse caso há maior risco de infecção da cicatriz da cirurgia. Portanto, monitorar a quantidade de açúcar no sangue é muito importante para a recuperação do paciente.
Já no caso de pacientes que estão em condição de saúde mais crítica ou passaram por procedimentos muito complexos, o caminho é outro. O médico pode iniciar um tratamento por meio de infusão de insulina. Há duas técnicas nesse sentido.
Uma delas é a infusão de insulina IV, que se trata do fornecimento contínuo de insulina por meio de uma bomba. A outra é chamada de Basal-Bolus. Basal se refere ao fornecimento de insulina uma ou duas vezes ao dia; enquanto Bolus é a insulina de ação rápida injetada antes das refeições.
Às vezes, o médico suspende temporariamente os medicamentos utilizados para reduzir a quantidade de glicose no sangue. Alguns, o paciente deixa de tomar no dia da cirurgia e retorna 48h depois. Outros, a pessoa para com até quatro dias de antecedência e volta a tomar após sua recuperação completa. Cada medicamento e condição clínica exige um procedimento específico. Esses estão associados ao funcionamento tanto do pâncreas quanto do rim, pois ambos têm ligação com o diabetes.
Quando um paciente está recebendo insulina de forma contínua, ou seja, por infusão IV, chega um momento em que ele não precisa mais disso. Normalmente é no momento em que a pessoa já consegue comer. Nesse caso, a administração da insulina passa de intravenosa para a subcutânea.
A primeira dose desse tipo de insulina é sobreposta à infusão IV, no período entre uma e duas horas, para não haver falta de fornecimento. Trata-se de um procedimento planejado, em que o médico calcula a dosagem exata que ficará sobreposta sem prejudicar o organismo.
Os protocolos de tratamento do diabetes recomendam que a meta do nível de glicemia fique entre 140 mg/dL e 180 mg/dL, levando em consideração os pacientes estáveis. No caso de quem se mantém em estado crítico, a margem é entre 120 mg/dL e 180 mg/dL. Conforme o paciente continua se recuperando, aos poucos, o nível de glicemia deve retornar ao que era antes da cirurgia.
Quando que a pessoa consegue comer normalmente, de forma oral, ele também deve se manter atenta à hidratação. Sendo assim, além de o médico indicar o tratamento adequado à condição clínica do paciente, a alimentação volta a ter papel importante no controle da glicemia.
Mesmo se alimentando de forma leve, é possível, no pós-operatório, seguir uma dieta que não apenas atenda às necessidades do diabético, mas também de quem está se recuperando de uma cirurgia. Nesse período o paciente muitas vezes já teve alta.
Um tratamento bem-sucedido conta com a ajuda de vários especialistas. Além do endocrinologista, o nutricionista e o psicólogo têm papel de destaque nessa etapa tão delicada. Os médicos devem estar cientes dos medicamentos que o paciente está tomando, do nível de glicemia e do processo de recuperação.
O nutricionista ajudará na elaboração da dieta leve que a pessoa deve seguir na pós-cirurgia. Isso fará com que ele tenha energia para se recuperar, fortaleça o sistema imunológico e se previna de complicações. O psicólogo, por sua vez, cuidará da saúde emocional da pessoa, colaborando para que ela se mantenha bem.
O tratamento do diabetes certamente é ainda mais importante no período pós-operatório. Por causa de uma intervenção invasiva, existem vários procedimentos que tanto a equipe médica quanto o paciente devem seguir à risca.
A primeira fase é mais crítica e diz respeito ao período de internação. Depois, em casa, a pessoa segue com a ajuda da família e precisa ficar atenta a todos os detalhes. Medir a glicemia com frequência é fundamental nas primeiras semanas.
E você, já passou por alguma cirurgia e precisou passar por cuidados extras? Vá até as nossas redes sociais e compartilhe essa experiência. Sua história é valiosa e ajudará muitas pessoas que estão com cirurgia agendada ou na fase de recuperação.