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Cirurgia bariátrica pode controlar diabetes em pacientes obesos

Quem tem dificuldade de reduzir o nível de diabetes porque é obeso, talvez possa fazer a cirurgia bariátrica para melhorar a condição de saúde.

O Conselho Federal de Medicina (CFM) ampliou a indicação desse tipo de operação para ajudar pacientes no tratamento da doença.

Desde dezembro de 2017, tal intervenção é vista como opção terapêutica para quem não consegue controlar a glicemia por meio do tratamento médico.

A cirurgia é complexa, reduz o estômago a no máximo 30% de seu tamanho original, exigindo muita adaptação à nova condição.

Descubra quem tem mais perfil para fazer essa cirurgia, quais são as técnicas mais usadas e os ganhos obtidos.

Perfil do paciente deve ser bem avaliado pelo médico

Cirurgia bariátrica é o procedimento que reduz o tamanho do estômago e voltada para pessoas com elevado nível de obesidade. Essa doença está totalmente associada ao diabetes tipo 2. Após a intervenção, o paciente só consegue ingerir pequena quantidade de alimento e, por causa disso, diminui bastante o número de calorias absorvidas pelo corpo.

Trata-se de uma alternativa indicada para quem está realmente muito acima do peso e não consegue emagrecer nem reduzir o nível de glicemia por meio da reeducação alimentar. Os critérios para avaliar quem se encaixa nesse perfil tem como base o Índice de Massa Corporal (IMC). Você mesmo pode fazer o cálculo, veja a fórmula:

IMC = peso ÷ altura × altura
IMC = 120 Kg ÷ 1,70 m × 1,70 m
IMC = 120 ÷ 2,89 = 41,52
IMC = 41

 

Uma pessoa com as medidas acima tem obesidade grau 3, ou seja, o IMC é igual ou superior a 40. Ela tem a opção de fazer cirurgia bariátrica se não conseguiu perder peso, nem com acompanhamento médico.

Segundo os médicos, quem possui IMC entre 35 e 39 (obesidade grau 2), pode passar pela intervenção se tiver no mínimo uma comorbidade. Diabetes e doenças cardiovasculares são as principais.

Já o IMC de 30 a 34,9, cuja obesidade é de grau 1, pode levar à cirurgia quem tem, por exemplo, diabetes tipo 2 e idade entre 30 e 70 anos. Há outras condições, mas cada pessoa deve avaliar a própria situação com o médico.

A análise clínica é apenas uma das etapas a fim de verificar quem realmente precisa do procedimento. A outra fase consiste em acompanhamento psicológico, que também faz parte do tratamento de pacientes com obesidade.

Saiba como está a situação dos brasileiros e quais são as principais mudanças que ocorrem depois da operação.

Pessoas acima do peso já são a maioria da população brasileira

O número de pessoas com excesso de peso é crescente no Brasil. Em 2006, 42,6% da população se encaixava nessa categoria, tal proporção subiu para 55,4% em 2019 e pode chegar a 68% até 2030, com 26% de obesos.

A projeção foi feita a partir da pesquisa realizada por uma equipe de 17 pesquisadores de várias universidades e financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

O estudo “A epidemia de obesidade e as DCNT – Causas, custos e sobrecarga no SUS” se refere não só ao excesso de peso, como também ao aumento do risco de desenvolver Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) por causa da obesidade. Entre elas estão as cardiovasculares, as respiratórias, o câncer e o diabetes.

Quem não consegue perder peso precisa se submeter à cirurgia bariátrica para, inclusive, melhorar a condição geral de saúde. A razão principal para seguir esse caminho vai muito além das questões estéticas. Saiba que a intervenção é severa e o paciente reduz no mínimo 70% do tamanho do estômago.

Se em condições normais esse órgão tem capacidade para receber até 1,5 litro, dependendo do tipo de operação, a nova área do estômago suportará no máximo 200 ml após a alteração do seu tamanho. Isso vai levar a grandes mudanças de hábito, pois não dá para comer quase nada durante as refeições.

Há dois tipos de cirurgias bariátricas mais realizadas:

Uma delas é chamada de Bypass Gástrico e consiste na redução do estômago a 10% de sua capacidade original. Isso é feito por meio de cortes ou inserções de grampos, além da ligação desse órgão com o intestino.

Outra cirurgia é a sleeve, que retira entre 70% e 85% do estômago, sem mudar nada o intestino. Essa alternativa é mais complexa e, por isso, de maior risco.

Qualidade de vida chega a partir da adaptação à nova realidade

Quem passa pela cirurgia precisa se adaptar a novos hábitos e o esforço vale muito à pena porque leva ao controle de várias doenças. Segundo a doutora Alexandra Manfredini, biomédica e diretora do CEDLAB Laboratórios e também líder do projeto Diabetes, eu cuido!, após essa intervenção, o nível de glicemia fica estável e há inclusive histórico de remissão da doença. “Há certeza de que existe no mínimo enorme ganho de qualidade de vida”, declara Alexandra.

O estômago reduzido faz com que fique mais difícil extrapolar na alimentação, mesmo assim, ainda é preciso seguir as recomendações médicas. “A operação facilita bastante na hora de manter a disciplina”, afirma a diretora. Essa iniciativa ainda traz ganhos no controle de doenças cardiovasculares, da pressão arterial e dos níveis de ácido úrico, por exemplo. Todos os males surgidos por causa da obesidade começam a ser combatidos ou eliminados.

Nova alimentação

É importante ressaltar que o paciente vai precisar de acompanhamento nutricional por toda a vida. Isso ocorre porque ao reduzir drasticamente a capacidade de ingerir alimentos, cresce a chance de ter anemia e deficiência de vitaminas.

De acordo com a nutricionista Márcia Penna Bueno, especializada em Obesidade e Cirurgia bariátrica, toda a evolução da dieta deve ser feita logo no pós-operatório, de forma adequada e assistida, especialmente nos primeiros 40 dias. Há quatro fases obrigatórias: dieta líquida, pastosa, branda e geral, em que a consistência do alimento é normal.

Essa evolução adequada feita por um nutricionista é essencial para o sucesso da cirurgia. Já em relação aos nutrientes, é necessária suplementação em 100% dos casos, pois além do volume do estômago ser reduzido, a absorção de nutrientes também será diferenciada.

É necessária atenção especial para as cirurgias disabsortivas, como é o caso do bypass, para que sejam garantidos todos os nutrientes necessários ao paciente por meio da alimentação e suplementação adequadas. Exatamente por causa disso, o acompanhamento por intermédio de exames bioquímicos é tão essencial.

Na opinião da nutricionista Márcia, a cirurgia bariátrica, conhecida como cirurgia metabólica (bypass gástrico), que pode ser realizada em pacientes diabéticos de difícil controle, é uma excelente alternativa ao tratamento. Há melhora substancial na qualidade de vida. Na cirurgia metabólica ocorre o mesmo procedimento da cirurgia bariátrica para perda de peso, a diferença entre as duas é que a cirurgia metabólica visa o controle da doença (diabetes), podendo inclusive levar a remissão. Vale ressaltar que o acompanhamento nutricional e a suplementação adequada devem ser feitos por toda a vida por um nutricionista, para o sucesso do tratamento no longo prazo.

Apesar disso, a cirurgia bariátrica traz inúmeros benefícios ao quadro geral de saúde. Clique no próximo link e conheça alguns mitos e verdades sobre essa operação.

Trata-se de uma decisão séria, benéfica, mas que também traz consequências. Por isso, a situação de cada paciente precisa ser avaliada com muito critério. Os ganhos precisam ser maiores que as perdas. Acompanhamento psicológico durante essa nova fase da vida é recomendável, pois a mente vai trabalhar como aliada para não apenas superar as dificuldades, mas também valorizar as vitórias obtidas.

 

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