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A Convid-19 trouxe muitos problemas e deixou como sequela o crescimento da ansiedade e da depressão no Brasil inteiro.

Ambas as doenças precisam de tratamento, mas muitas vezes são vistas como algo mais fácil de curar do que se imagina.

O primeiro passo para reverter a situação passa pela aceitação de que é preciso procurar ajuda profissional para lidar com as próprias emoções.

Veja como esses problemas afetam a vida e de que forma é possível dar a volta por cima.

Diagnóstico é importante para começar o tratamento

Ansiedade e depressão são duas doenças em crescimento e pioraram ainda mais por causa da pandemia. A Covid-19 gerou problemas emocionais ligados à saúde, às finanças pessoais e ao isolamento social, no Brasil inteiro. A pressão do dia a dia foi impulsionada com o aumento do risco de vida e da vulnerabilidade.

Ainda há muito preconceito em relação às pessoas que precisam de ajuda para resolver problemas emocionais. Quem procura psicólogos ou psiquiatras costuma ser vítima de comentários negativos ou irônicos, baseados não só na ignorância em relação à gravidade do tema, mas também na falta de sensibilidade.

Segundo o psiquiatra e psicanalista Augusto Curi, autor do livro Ansiedade, essa doença está entre os maiores problemas a serem enfrentados, desde antes da pandemia. O que está na origem dela é o conceito de Síndrome do Pensamento Acelerado. Tal ideia leva em consideração tanto o excesso de informações recebidas hoje em dia, como a elevada carga de atividades intelectuais assumidas no cotidiano.

A depressão tem como principais sintomas a tristeza profunda, a baixa autoestima e a falta de alegria e disposição. Chega um momento em que a pessoa necessita de acompanhamento profissional para reverter a situação. O fato de o psiquiatra, em certos casos, receitar medicamentos para o paciente, é uma das provas de que esse quadro não é frescura, como muita gente afirma por aí.

Vários problemas surgiram durante a pandemia e cada pessoa reagiu de acordo com os recursos materiais e emocionais disponíveis. Houve medo, confusão mental e extrema insegurança. Agora, por volta de 40% da população está imunizada e isso aumenta a confiança na retomada de uma rotina normal.

É o momento de intensificar ainda mais a oferta de ajuda a quem enfrenta esse problema.

Mudanças ocorridas na pandemia causaram mais depressão

A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta o Brasil como líder no ranking de depressão na América Latina. Estatísticas revelam que o número de casos desta doença aumentou pelo menos 80% no País. Diversos motivos levaram a esse salto no diagnóstico da doença.

Questões profissionais desencadearam uma série de problemas durante a pandemia e ninguém ficou livre dos desafios surgidos a partir de março de 2020. Quem não ficou desempregado, precisou se adaptar ao trabalho remoto. Essa novidade misturou o ambiente doméstico com o profissional, tirou os limites de cada espaço e tanto crianças como adultos tiveram que desenvolver suas atividades no mesmo lugar, geralmente a sala, ou muito próximos.

Ainda hoje é preciso dar conta ao mesmo tempo das necessidades dos filhos e das demandas do chefe ou dos clientes. A cobrança por fazer tudo certo e não conseguir dá a sensação de impotência; conforme essa realidade se prolongou no decorrer dos últimos 18 meses, ela minou a reserva emocional e a esperança em dias melhores, simplesmente porque eles não chegaram para muita gente.

O retorno parcial do trabalho e das aulas presenciais tem gerado receio por causa do nível de segurança na retomada do convívio social. Quem precisou lidar com o luto teve que superar um dos maiores causadores da depressão e hoje tenta voltar ao ritmo normal. A incessante tensão levou ao aumento do uso de drogas e bebidas alcoólicas.

O nível da saúde mental da população diminuiu muito e essa queda levou à criação de inúmeros grupos de apoio psicológico. Eles têm o objetivo de ajudar as pessoas a compreenderem melhor o momento pelo qual estão passando e também a reorganizar a vida após tantas perdas. É importante trocar experiências, buscar soluções e criar uma rede solidária.

A grande incerteza quanto ao futuro provocou ansiedade

As emoções existem para proteger o ser humano e na medida certa ajudam bastante no dia a dia. Quer um exemplo? O medo faz as pessoas evitarem situações perigosas, mas quando é exagerado, leva o indivíduo a ficar paralisado diante das oportunidades. Ele não tenta realizar nada diferente daquilo que está acostumado porque começa a imaginar tudo que pode dar errado.

A ansiedade também tem sua dose positiva porque ajuda a pensar no amanhã e assim é possível evitar alguns problemas. Ela passa a ser excessiva à medida que a mente permanece no futuro e se desliga do presente. Quanto mais a pessoa imagina como será a vida se ela ficar doente, desempregada ou sozinha, mais alto torna-se o nível de ansiedade. No presente, tais situações só existem dentro da cabeça, mesmo assim, geram sofrimento devido à carga emocional.

Vários receios existentes em relação ao futuro cresceram de forma bombástica durante a pandemia e se concretizaram para muita gente. O caos global levou os índices de ansiedade a níveis extremos, mas, apesar disso, é possível fazer algo tendo em vista assegurar o controle diante da atual crise. Manter contato virtual com amigos e familiares queridos, se envolver em atividades que lhe dão prazer e se afastar do denso noticiário atual ajuda a assegurar o controle.

Faça exercícios físicos, assista a filmes e séries que proporcionam alegria e dão disposição para pôr em pratica o que necessário para superar os obstáculos. Eles estão no caminho de todo mundo, sem exceção. Quanto mais você ficar concentrado no que dá para resolver hoje, mais leve se torna o dia a dia e o amanhã será consequência do que você fizer hoje.

Mudanças de hábito ajudam a vencer ansiedade e depressão

A sensação de perda pode ser detectada em todas as idades e em ambos os sexos. Familiares, amigos e alguns relacionamentos de forma geral ficaram na memória do que ocorreu até março de 2020 não só no Brasil, mas no mundo.

Recolher os cacos e seguir a vida tem sido difícil para muita gente. Psicólogos estão preocupados com a piora da saúde mental da população e analisam qual deve ser o impacto da pandemia tanto no aspecto individual, como à sociedade.

Algumas pessoas estão conseguindo dar a volta por cima porque se focaram em algum objetivo concreto. O novo emprego que surgiu ou a chance de apostar no próprio negócio estão entre eles. Iniciar novos relacionamentos ou ter entusiasmo para voltar a estudar também são iniciativas válidas em direção a um recomeço.

Ele pode vir por meio de uma nova rotina e da disciplina ao cumpri-la. A valorização dos momentos de prazer também ajuda bastante a aliviar o que foi sentido ao passar por experiências tão marcantes. Lembre-se de que o contato com a natureza, sempre respeitando as exigências sanitárias ao sair de casa, é extremamente positivo e ajuda a revigorar o corpo e a alma.

A ansiedade e a depressão podem ter crescido muito nos últimos meses, ainda assim, é preciso ter a esperança de que as dificuldades serão superadas à medida que você reúne forças para se levantar e voltar a caminhar de cabeça erguida.

Nunca desista. Depois escura noite, sempre surge o sol para iluminar nossos dias.

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